Porque é que visitar um montado de cortiça é uma das experiências mais autênticas que vais ter no Alentejo

Para lá das praias e das aldeias caiadas, o interior alentejano guarda séculos de tradição — e visitar um montado perto de Sines é uma das melhores formas de o descobrir.

Inês e Rita, fundadoras da Manas Slowliving

por Inês & Rita

14 de julho de 2026

Montado de sobreiros no interior alentejano, perto de Sines
Os montados de sobro estendem-se pela paisagem alentejana — uma parte viva da economia, da cultura e da biodiversidade da região.

Quando se pensa no Alentejo, imagina-se quase sempre praias sem fim, aldeias caiadas e longas tardes de verão.

O que muitos visitantes não sabem é que um dos produtos mais icónicos de Portugal nasce nesta paisagem: a cortiça.

Há pouco tempo, passámos uma tarde num montado perto de Sines e a visita tornou-se rapidamente uma das experiências que mais recomendamos a quem fica na Manas.

Uma paisagem moldada pelos sobreiros

Sobreiros no interior alentejano

Quando atravessas o interior alentejano de carro, vais reparar em extensos montados de sobreiros a perder de vista.

Estes montados são muito mais do que bonitos. Fazem parte de uma tradição com séculos que ajuda a definir a economia, a cultura e a biodiversidade da região.

Ao contrário da maioria das árvores exploradas para madeira, os sobreiros nunca são cortados para produzir cortiça. Em vez disso, a casca exterior é retirada com todo o cuidado de nove em nove anos, o que permite à árvore continuar a crescer e a dar cortiça durante gerações.

Ver este processo ao vivo faz-te olhar de outra forma para algo tão simples como uma rolha de vinho.

O descortiçamento

A tiragem da cortiça exige muito mais saber do que parece.

Trabalhadores experientes retiram grandes pranchas de casca com ferramentas próprias, tendo o cuidado de não ferir a camada viva que fica por baixo.

É um ofício passado de geração em geração e que exige uma precisão impressionante.

À sombra do montado, a ver a cortiça a ser retirada, é fácil perceber porque é que esta tradição sobreviveu durante séculos.

Não há pressa.

Não há máquinas a dominar a paisagem.

Só conhecimento, paciência e respeito pelas árvores.

Muito mais do que cortiça

Caminhos tranquilos no campo alentejano, perto de Sines

Uma das coisas que mais nos surpreendeu foi a tranquilidade que se sente no montado.

A sombra mantém a temperatura agradável mesmo nos dias quentes de verão.

O canto dos pássaros substitui o barulho do trânsito.

O ritmo abranda.

Durante a visita, fomos acompanhadas por um grupo de cães da herdade, muito simpáticos, que pareciam decididos a mostrar-nos todos os cantos da propriedade.

Levaram-nos por entre as árvores, por caminhos sossegados e, por fim, até um charco escondido onde nos refrescámos depois de uma tarde quente a explorar.

Foi um daqueles momentos simples que nos lembram que viajar é muitas vezes melhor quando nos afasta das atrações óbvias.

Porque é que recomendamos

Os nossos hóspedes pedem-nos muitas vezes sugestões locais.

Adoramos partilhar as nossas praias, cafés e restaurantes preferidos, mas também gostamos de incentivar quem nos visita a descobrir experiências que mostram o carácter da região.

Visitar um montado de cortiça faz exatamente isso.

Ajuda a perceber a paisagem.

Liga quem visita às tradições locais.

E mostra um lado do Alentejo que muitos viajantes nunca chegam a ver.

Planeia a tua visita

Se estiveres a ficar na zona de Sines ou de Santiago do Cacém, reserva uma tarde para explorar o campo para lá da costa.

Leva calçado confortável, muita água e curiosidade.

Podes chegar a pensar que vais aprender sobre cortiça.

Vais sair a conhecer muito melhor a própria região.

E, se tiveres sorte, ainda fazes uns quantos amigos de quatro patas pelo caminho.

Apetece-te explorar o Alentejo para lá da costa? Vem ficar connosco.

Ver as nossas casas

Sobre as autoras

Inês e Rita, fundadoras da Manas Slowliving

A Inês e a Rita são as irmãs por trás da Manas Slowliving, um conjunto de casas com alma no Alentejo. Com raízes profundas na região, recebem hóspedes que querem viver o ritmo mais lento da costa e do campo — das manhãs de surf em Sines às tardes tranquilas pelos montados do interior.

Perguntas frequentes

O que é o descortiçamento?

O descortiçamento é o processo de retirar com cuidado a casca exterior dos sobreiros, sem os cortar. Trabalhadores especializados usam ferramentas próprias para retirar a cortiça em grandes pranchas de nove em nove anos, o que permite à árvore regenerar-se e continuar a produzir cortiça durante bem mais de um século.

Dá para visitar um montado de cortiça no Alentejo?

Sim. Várias herdades no Alentejo recebem visitantes para visitas guiadas. Se estiveres a ficar na Manas, em Sines ou em Santiago do Cacém, teremos todo o gosto em dar-te sugestões e ajudar-te a planear uma tarde no campo.

Porque é que Portugal é conhecido pela cortiça?

Portugal produz cerca de metade da cortiça do mundo, e o Alentejo é uma das regiões onde o sobreiro tem mais expressão. O montado — a paisagem tradicional de sobreiros — sustenta não só a produção de cortiça, mas também um ecossistema rico em fauna, pastoreio e espécies de plantas autóctones.

Qual é a melhor altura para visitar um montado?

A tiragem da cortiça acontece normalmente entre maio e agosto, por isso o fim da primavera e o verão são a altura mais interessante se quiseres ver o processo ao vivo. Ainda assim, os montados são bonitos durante todo o ano — frescos e tranquilos no verão, dourados e sossegados no outono.